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O Oráculo das Árvores | Clarice Borian

 

 

 

Mostra Individual na Galeria Mmarts | Fradique Coutinho 1390

De 06 de julho a 03 de agosto de 2019 | São Paulo

Produção - Monica Martins e Camila Martins

Curadoria - Juliana Freire

Montagem – Michel Onguer

Fotografia - Luis Bahu

 

 

 

A poética de Clarice Borian oferece múltiplas camadas de significação. É fundamental, em primeiro lugar, considerar a utilização do bordado como sua principal técnica. O gesto de bordar, na arte e na cultura, foi frequentemente associado à intimidade, à subjetividade e à temporalidade desacelerada do fazer artesanal. Neste sentido, é interessante observar a impossibilidade de utilização do bordado como uma técnica neutra; sempre que ele aparece, carrega consigo esses sentidos. Ao bordar sobre folhas de árvores, Clarice transita entre ordens de grandeza que vão do cósmico (afinal, as folhas das plantas traduzem a potência criadora do Sol em uma escala apreensível para nós, humanos) à intimidade que os bordados e a escritura carregam. Através da simbiose que instaura entre uma técnica (o bordado) e um suporte (as folhas de árvore), Clarice afasta-se da crença na separação e na superioridade do humano em relação à natureza, ao mesmo tempo em que esgarça as fronteiras entre o artístico e o artesanal.

 

A relação, mediada pela artista, entre o cósmico e o humano aparece também na retomada do dispositivo oracular. A criação do oráculo das folhas pela artista não é anedótica. As folhas sobre as quais Clarice borda palavras não são meros suportes de uma escrita que já estaria definida a priori. As características da folha - sua maleabilidade, seu grau de ressecamento, a estrutura de suas fibras etc. - são determinantes no processo através do qual a artista escreverá as palavras que semearão, naqueles que as recebam do oráculo, uma série de reflexões, interpretações e narrativas de si. Por isso, podemos dizer que a exploração da tensão entre necessidade cósmica (ou destino) e acaso não fica restrita ao momento no qual quem consulta o oráculo das folhas retira uma palavra da bacia da artista. Esta tensão se inscreve antes disso, na própria criação das possibilidades oraculares por parte de Clarice, a partir de uma escuta da folha e de uma escrita quase mediúnica que tenta se limitar a transcrever aquilo que ouve.

 

Icaro Ferraz Vidal Junior

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O que o vento sopra | Texo da Artista

Quando olho para uma árvore e percebo sua calma, também me acalmo.

As árvores estão sempre profundamente enraizadas no Ser.

        Esse trabalho surgiu da intenção de sentir a vibração da natureza e da palavra, e somar a essa força a delicadeza do bordado. Ampliar o olhar sobre as árvores, a natureza, a simplicidade. Falar que folha não é sujeira e que palavras são sementes.

 

Cada folha e bordado são únicos.

 

        Bordo nas folhas secas que encontro. Gosto de bordar Palavras que faz sentir, pensar, refletir. Tem horas que uma palavra diz muito, ás vezes cura, às vezes desestabiliza. A palavra pode ser uma coisa pesada e pode também ser transformadora. Às vezes é uma semente a ser cultivada.

        O Brasil é o maior patrimônio arbóreo do mundo, nosso país leva o nome de uma árvore, o pau Brasil, mas ainda somos pouco educados para árvores. Ainda cortamos árvores porque qualquer motivo. Ainda achamos que folha é sujeira e que os fios elétricos são mais importantes que as árvores.

        Para a grande maioria de nós, folhas secas são apenas sujeiras, quando na verdade as folhas secas são nutrientes que se desmancham pela ação de pequenos organismos e depois são mineralizadas por fungos e bactérias enriquecendo o solo e mantendo a umidade.

 

        Tudo o que sei é que as sementes apesar de pequenas contém em si a força das florestas. 

CLARICE BORIAN

        Artista, que estudou Antropologia e administração de empresa, sempre orbitou pelo universo das poéticas têxteis. Tem na natureza sua referência primordial.

Adora o universo de cores dissonantes advindas da cultura urbana de matriz pop-tropical.

        Tatua dizeres nos objetos criando pontes de reflexão e alegria.

Criou a marca Brazoo, que conduziu de 1997 a 2011, uma marca de roupas e acessórios femininos que foi um modelo inovador de negócios. Alem de valorizar e promover os fazeres manuais e a cultura e estética popular brasileira.

        Atua também como designer e conceitualizadora de produtos, idéias e projetos que buscam uma identidade autoral.

Borda folhas secas como forma de ampliar seu olhar sobre a natureza e a simplicidade do que lhe é essencial.  

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